domingo, 27 de fevereiro de 2011

CORDEL FILOSÓFICO – RELENDO O BANQUETE


Eu vim dissertar aqui
Com a alma e o coração
O que achei interessante
No diálogo de Platão
Que pra falar de amor
Usou de tanto macete
Através dos convidados
Que estavam no “Banquete”

Na verdade “o banquete”
De banquete pouco tinha
Era mesmo uma festa
Regada a muito vinho
E por estarem de ressaca
Os convidados decentes
Resolveram então fazer
Uma coisa diferente

Não quiseram nem beber
Como era de costume
Foram louvar o amor
Em claro e alto volume
Então o retórico Fedro
Sendo o primeiro a falar
Prestou homenagem a Eros
Não cansou de elogiar

Disse Fedro que o deus Eros
Faz o homem ser virtuoso
Envergonhar-se do mal
Ser devoto e corajoso
Que os nascidos do amor
São divinos em desmedida
E serão os mais felizes
Nesta e na outra vida

Pausânias recriminou
De Fedro o discurso feito
Achou que há mais de um Eros
E para falar direito
Teria que dividir
Em duas partes por igual
Homenagear a alma
E o aspecto sexual

Falou que ao primeiro Eros
Devemos render tributo
Por inúmeras qualidades
E o bem absoluto
Já para o segundo Eros
Por ser apenas corporal
Representa sofrimento
Está mais próximo do mal

Chegou doutor Erixímaco
E a palavra tomou
Concordando com Pausânias
A respeito do amor
Acrescentou que o deus Eros
Tem grandes e vastos poderes
Não se limita aos homens
Abrange todos os seres

Disse que o grande Eros
É dos contrários a harmonia
Que essa atração oposta
Entre as coisas de valia
Une o corpo e a alma
O úmido ao seco da terra
Paz entre homens e deuses
Traz felicidade eterna

Chegando a vez de Aristófanes
Falar do deus do amor
Ele não fez elogios
Tão pouco cantou louvor
O que ele falou de Eros
E o porquê de amar
Viera bem do princípio
De o homem o originar

Eram três tipos de humanos
Homem – duplo, mulher - dupla.
Também o homem - mulher
Que existiam sem culpa
Por se sentirem completos
Quiseram subir aos céus
E por tanto atrevimento
Foram punidos por Zeus

Zeus com sua fúria insana
Ao meio os homens cortou
E é assim que se explica
As histórias de amor
Essa busca alucinante
Atrás da felicidade
Que chega quando se encontra
A nossa outra metade

Agatão o anfitrião
Era um poeta astuto
Atribuiu ao deus Eros
Uma porção de atributos
Era o mais belo o mais jovem
O mais perfeito da história
Inspiração e beleza
Dos deuses e homens a glória

É chegada a vez de Sócrates
A fala mais esperada
Quis se ausentar do discurso
De uma forma elaborada
Mas os convidados todos
Insistiram bravamente
E o caro colega Sócrates
Começou bem paciente

Falou que sobre o amor
Não iria elogiar
Ia usar outro método
Para de Eros Falar
E se os presentes da festa
Tivessem grande paciência
Ia tratar da verdade
Buscar do amor à essência

Ele começou falar
De como Eros nasceu
Filho de Pênia a pobreza
Herdou um aspecto seu
A carência e o desejo
“Ta” sempre algo a querer
Seu pai é Poros a riqueza
Dele herdou como fazer
Pra conseguir o que quer
Nem que seja pra perder

Que Eros por ser carente
Quer achar a plenitude
Pra se sentir saciado
Todo cheio de virtude
E pra se sentir completo
Disse assim bem amiúde
Que essa ânsia e ausência
Que invade o coração
É o amor pleno que é
Desejo de perfeição

E o que é perfeição?
Integridade, harmonia,
A forma plena, perfeita,
Sem defeito ou avaria?
Então a necessidade
Dessa busca incessante
Nos corpos entre a natureza
É porque o amor é
Um desejo de beleza

E onde está a beleza?
Nos corpos que geram filhos?
Nas coisas materiais
Imperfeitas, ou com brilho?
Na alma, no intelecto,
O belo, o uno, o real?
“Cadê” a felicidade?
Será somente Aparência?
Ou a verdade do amor
É encontrar sua essência?

Então a idéia do amor é
Desejo das formas belas
É ser idêntico a si mesmo
Pleno, cônscio, sem balela
Sendo o amor intelectual
A busca do inteligível
O desejo de conhecer
O amor à sabedoria
Esse amor pelo saber
É a própria filosofia

Ao terminar seu discurso
Foi Sócrates elogiado
Pelos presentes e por um
Que chegou embriagado
O bêbado era Alcibíades
Rapaz bonito, educado
Que não quis falar de Eros
Alegou está cansado
Preferiu fazer pra Sócrates
Um discurso apaixonado

E foi assim que entendi
Essa obra de Platão
Que o amor nada mais é
Que a busca da perfeição
Que o amor estabelece
Relações entre as pessoas
Que o amor é a verdade
Que o ser perfeito consome
Que é chamado amizade
Esse amor que une os homens

Peço desculpas se não
Consegui passa direito
A história desse deus
Que faz o ser ser perfeito
É porque aprendo aos poucos
E ainda faltam mais anos
Prometo que com o tempo
Buscando a sabedoria
Vou dissertar com mais força
O amor à filosofia


 Juazeiro do Norte, 03 de outubro de 2010.

 Maria das Dores da Silva - Dodora
Aluna da Universidade Federal do Ceará - UFC
Campus Cariri -




                                                                             

CORDEL FILOSÓFICO – A SAGA DE ANTÍGONA
1
A história que vou contar
Não é da Idade Média
Vem lá da Grécia Antiga
Na verdade é uma tragédia
Vou tentar contar os fatos
Espero que não me engane
A história quem nos contou
Foi a mestra Regiane
2
Antígona é a personagem
Desse enredo incestuoso
Filha de Édipo e Jocasta
Teve um destino amargoso
Contado pelo grego Sófocles
Escrito em profundidade
Aborda amor e lealdade
E também dignidade
3
O destino trágico de Édipo
Não foi o suficiente
Para acalmar os deuses
Que estenderam aos descendentes
A maldição pelo crime
Cometido  por seus pais
Então os filhos de Édipo
Nunca viveram em paz
4
Polinice e Eteocles
Em um gesto tresloucado
Matam-se as portas de Tebas
Por motivos contrariados
Um a favor de Creonte
Rei, tio deles e tirano
O outro contrário ao trono
Foi tido como profano
5
Creonte dá a Eteocles
As honras de um funeral
Por ser um seu aliado
Tem todo um ritual
Quanto ao irmão Polinice
Por fazer parte  do embuste
Fica sem o funeral
Pra ser jogado aos abutres
6
Vendo o decreto do rei
As irmãs se alucinam
Quais as leis que seguirão
A dos homens ou a divina
Então Ismênia acata
A lei do tio tirano
Antígona desobedece
E segue com outro plano
7
Antígona dá ao irmão morto
O que diz a lei divina
Um sepultamento honrado
Como os deuses determinam
Creonte ao saber que a lei
Sofrera violação
Resolve punir Antígona
Com cruel condenação
8
O castigo de Antígona
É morrer emparedada
Será enterrada viva
Por sua audácia atirada
Seu crime foi a piedade
Por seu irmão insepulto
E seguindo as leis divinas
Causou ao rei um insulto
9
Hemon filho de Creonte
E de Antígona o amado
Pede clemência ao seu pai
Pra sua noiva piedade
Mas o rei com sua empáfia
De fazer seguir as leis
Não liberta a própria nora
E faz valer a lei do rei
10
Até o sábio Tirésias
Pede que o rei volte atrás
Mas quando o tirano cede
Vê que é tarde demais
Só percebe o que foi feito
Ao ver o seu filho amado
Com o corpo inerte da noiva
No próprio cinto enforcada
11
De cara a cara com o pai
Hemon o responsabiliza
Pela morte da amada
E rápido de encoleriza
Aponta a espada para o pai
Esse escapa, com efeito,
Hemon volta a sua espada
E crava no próprio peito
12
Ao ver o filho sem vida
Caído inerte em seus braços
Creonte grita de dor
E corre para o palácio
Lá encontra sua esposa
Eurídice, agonizando
Ela também se matara
Pela morte do filho culpando-o
13
O rei amaldiçoado
Entrega-se a própria sorte
O infeliz e culpado
Aguarda a própria morte
E com isso os deuses mostram
Sem nenhuma complacência
Que amaldiçoaram Édipo
Com toda sua descendência
14
Com essa tragédia Sófocles
Mostra uma grande questão
Qual das leis tem primazia
A humana ou a religião
O que se sabe é que  até hoje
Os homens vivem um dilema
Seguem a moral ou a ética
É esse um grande problema
15
Pra discutir esse assunto
E chegar a uma verdade
Debato com outras pessoas
Na minha universidade
Mas pra concluir o fato
Não tenho sabedoria
E por isso é que me entrego
Com amor a Filosofia.

Juazeiro do Norte, 19 de fevereiro de 2011
Maria das Dores da Silva – Dodora
Aluna do III semestre do curso de Filosofia
U F C – Campus Cariri – Juazeiro - CE